Publicado por: Dream Hunter Z | 31/07/2014

Semântica

Olá pessoas! Tudo bem? 🙂

Hoje falarei de outro assunto da língua portuguesa, mas que considero importante para a criação de anúncios publicitários. É a Semântica. Geralmente, estudamos isso dentro da Semiótica.

A Semântica é o estudo dos significados que as palavras, frases, expressões, símbolos e signos possuem conforme os seus contextos. São importantes para a comunicação, pois o emissor deve certificar-se de que a sua mensagem possui o significado desejado, e que o receptor poderá compreendê-la corretamente.

Semântica - Imagem deste site.

Semântica – Imagem deste site.

Por questões criativas, é também interessante ter esse conhecimento. Principalmente se tratando das Figuras de Linguagem, que abordo no final deste post, já que estas permitem “brincar” com os sentidos das orações.

As figuras linguísticas presentes no estudo da semântica são: sinonímia, antonímia, homonímia, parônimos, polissemia, denotação, conotação, figuras e vícios de linguagem.

1. SINONÍMIA:

Representa as palavras sinônimas, ou seja, que possuem significados semelhantes. Vejam alguns exemplos:

  • casa – residência
  • certo – correto
  • perto – próximo
  • transformação – metamorfóse

2. ANTONÍMIA:

São representadas pelas palavras antônimas, ou seja, de sentidos opostos. Vejam alguns exemplos:

  • alto – baixo
  • ativo – inativo
  • bem – mal
  • bom – mau
  • longe – perto
  • progredir – regredir
  • velho – jovem

Podem haver pontos de vista diferentes para antônimos, por exemplo, “garoto” pode ter como antônimo “garota”  (oposto no gênero) ou “homem” (oposto em idade). Atente para o fato de que o antônimo de “garoto” jamais será “mulher” (oposto em gênero e idade).

3. HOMONÍMIA:

São palavras que são iguais na pronúncia (som) e/ou na escrita. Temos três classes de palavras homônimas:

  • Homônimas Perfeitas: possuem mesma pronúncia e grafia, no entanto, tem significados diferentes, sendo de classes gramaticais distintas. Exemplo: “cedo”, que pode ser do verbo “ceder”, ou o “cedo” antônimo de “tarde” (advérbio).
  • Homônimas Homógrafas: palavras que possuem a mesma grafia, porém, pronúncia diferente. Exemplo: “gosto”, que pode ser o substantivo (gosto de uma pessoa), ou do verbo “gostar” (eu gosto de você).
  • Homônimas Homófonas: palavras que possuem mesma pronúncia, porém, grafia diferente. Exemplo: “acender” (de ligar a luz, ou colocar o fogo) e ascender (sinônimo de subir).

4. PARÔNIMOS:

Palavras parônimas são parecidas na pronúncia e na grafia, porém, com significados diferentes. Alguns exemplos:

  • Aprender (ganhar conhecimento) – Apreender (captar)
  • Cavaleiro (quem monta um cavalo) – Cavalheiro (homem gentil, de boas maneiras)
  • Descrição (vem de “escrever”, contar em palavras alguma coisa) – Discrição (derivado de discreto, que não chama atenção, reservado)

5. POLISSEMIA:

Ocorre quando uma mesma palavra pode expressar sentidos diferentes conforme o contexto. É fácil de confundir com os Homônimos Perfeitos. No caso da Polissemia, são palavras que adquirem outros significados conforme a evolução do idioma. Diferente de Homônimo Perfeito, que são palavras, que apesar de ter mesma grafia e som, são de origens diferentes, portanto, sendo de classes gramaticais diferentes. Exemplo de polissemia: “Mão”.

  • O menino queimou a mão. (parte do corpo)
  • Dei duas mãos de tinta na parede. (camadas)
  • Ninguém deve abrir mão de seus direitos. (deixar de lado, desistir)
  • A decisão está em suas mãos. (responsabilidade, dependência)
    (Exemplos retirados do site InfoEscola)

6. DENOTAÇÃO:

É o significado original da palavra. É como ela é descrita no dicionário.

  • Exemplo: Choveram todos os dias das minhas férias.

7. CONOTAÇÃO:

É um significado novo, diferente do original, que está no dicionário.

  • Exemplo: Choveram lágrimas naquela triste noite.

8. FIGURAS DE LINGUAGEM:

 É um recurso que dá mais valor à mensagem, tornando-a mais expressiva. Ela desvia-se da norma padrão da gramática, porém, propositalmente, para alcançar significados mais profundos e belos.

Elas são classificadas em: Figuras de Som, Figuras de Construção, Figuras de Pensamentos e Figuras de Palavras.

FIGURAS DE SOM:

Como o próprio nome sugere, são as figuras que trabalham com a sonoridade das palavras.

  • Aliteração: consiste na repetição de palavras com mesmos sons consonantais. Exemplo: “Marcelo, marmelo, martelo” (título de um livro).
  • Assonância: ocorre quando há a repetição de sons vocálicos idênticos. Exemplo: “Sou um mulato nato no sentido lato
    mulato democrático do litoral.” (Exemplo do site Brasil Escola).
  • Paronomásia: é quando há a repetição de palavras parônimas (sons parecidos) numa mesma frase. Exemplo: “Eu que passo, penso e peço.” (Exemplo do site Brasil Escola).

FIGURAS DE CONSTRUÇÃO:

São figuras que afetam a estrutura das frases e orações. Temos diversos tipos:

  • Elipse: consiste na omissão de algum elemento ou termo, que pode ser identificado pelo contexto. Exemplo: “Sob o Sol, pessoas felizes sorrindo.” (omissão da palavra “haviam”).
    • Zeugma: É uma forma de elipse. Ocorre quando há a omissão de uma palavra já mencionada anteriormente. Exemplo: “Célia estava com fome ao chegar no restaurante. Porém, não comeu nada.” (omitiu-se “Célia”/”Ela”).
  • Polissíndeto: é a repetição proposital de conectivos, ligando termos da oração ou elementos do período. Exemplo: “E eu morrendo! E eu morrendo!/Vendo-te, e vendo o sol, e vendo o céu, e vendo/Tão bela palpitar nos teus olhos, querida,/A delícia da vida! A delícia da vida!” (Olavo Bilac)
  • Inversão: é quando há a inversão da ordem dos elementos da frase, em relação à forma natural. Exemplo: “Desta alegria, sempre me lembrarei”.
  • Silepse: consiste na concordância verbal ideológica, ao invés das regras gramaticais convencionais. Pode-se dizer que é uma concordância figurada.
    • Silepse de número: Quando o sujeito é coletivo (apesar de estar no singular). Exemplo: “O time todo vibraram com o gol.” (o verbo “vibraram” concorda com a 3ª pessoa no plural, porém, o sujeito é 3ª pessoa no singular, mas a palavra “time” passa uma ideia de coletivo, ou seja, plural).
    • Silepse de gênero: A concordância se faz com uma ideia implícita em relação ao gênero. Exemplo: “O Rio de Janeiro é bastante agitada”. (Aqui, “agitada”, que está no feminino, concorda com a ideia implícita “cidade”. Já que “Rio de Janeiro” é um substantivo masculino.).
    • Silepse de pessoa: Geralmente ocorre com o verbo na 1ª pessoa do plural e o sujeito na 3ª pessoa do plural. Exemplo: “Os brasileiros somos bastantes patriotas”. (Exemplo do site Brasil Escola). Isso acontece, pois o emissor deixa implícito que ele também está incluso no grupo “os brasileiros”.
  • Anacoluto: é quando há um termo solto na frase, em discordância com o restante desta. É como se o orador fosse falar algo, mas seu pensamento muda de foco e assunto. Exemplo: “Esta casa, sempre quis morar aqui!”.
  • Pleonasmo: É a redundância proposital, com o objetivo de enfatizar a mensagem. Exemplo: “Para que as lágrimas choradas não sejam em vão, devemos sorrir sorrisos de esperança”.
  • Anáfora: consiste na repetição de palavras ou grupo de palavras no início de frases ou versos consecutivos. Exemplo: “Ilha cheia de graça/Ilha cheia de pássaros/Ilha cheia de luz/Ilha verde onde havia/mulheres morenas e nuas” (Cassiano Ricardo)

FIGURAS DE PENSAMENTO:

São figuras que mexem com os significados e sentidos das ideias e pensamentos.

  • Antítese: é a aproximação de palavras e termos de significados opostos. Exemplo: “Já estou cheio de me sentir vazio, meu corpo é quente e estou sentindo frio.” (Renato Russo)
  • Ironia: ocorre quando o significado do que o emissor quer dizer é o oposto do que ele realmente fala. Costumeiramente a intenção se zombar, criticar ou dar um tom humorístico. Exemplo: “Ele é bem calmo, só não chegue muito perto.”
  • Eufemismo: consiste na utilização de termos mais suaves para expressar uma mensagem mais forte, rude ou desagradável. Exemplo: “Ela faltou com a verdade perante a seu amado”  (ao invés de “ela mentiu perante seu amado”).
  • Hipérbole: é o uso de expressões exageradas objetivando demonstrar intensidade. Exemplo: “Esperei este dia por séculos!”.
  • Prosopopeia ou Personificação: é a figura de linguagem que dá a um ser inanimado características e/ou ações de seres animados. Exemplo: “Somente a Lua sorriu, testemunhando o nosso amor”.
  • Gradação ou Clímax: ocorre quando há a progressão de fatos ou ideias de forma crescente, indo em direção a um clímax; ou decrescente, indo para um anticlímax. Exemplo 1: “Um coração chegando de desejos. “Latejando, batendo, restrugindo…” (Vicente de Carvalho) – Clímax / Exemplo 2: “Ó não guardes, que a madura idade te converta essa flor, essa beleza, em terra, em cinzas, em pó, em sombra, em nada.” (Gregório de Matos) – Anticlímax
  • Apóstrofe: é quando o orador dirige-se a alguém de forma enfática. Exemplo: “Pai Nosso, que estais no céu”.

FIGURAS DE PALAVRAS:

Trabalham mais com os sentidos diversos e não convencionais que as palavras podem ter.

  • Metáfora: consiste no emprego de palavras com sentidos não convencionais, ou seja, em forma conotativas, ou sentido figurado. São compreendidas pela proximidade de características que a palavra empregada quer se referir. Exemplo: “As chamas do amor transbordam em lágrimas de felicidade.”.
  • Metonímia: similar à metáfora, utilizando-se palavras com outros significados para se referir a algo. Porém, diferente da metáfora, esta possui uma relação mais lógica. Exemplo: “Não tinha teto em que se abrigasse.” (Exemplo do site Brasil Escola). Aqui, “teto” significa “casa”, há uma associação lógica entre as duas palavras que permitem a compreensão.
  • Catacrese: são palavras ou expressões que são usadas pela falta de palavras específicas para se referirem a ela. Alguns exemplos: “pé da mesa”, “dente de alho”, “braço da poltrona”, “embarcar no avião”, etc.
  • Antonomásia ou Perífrase: é quando se usa uma palavra ou expressão, baseado em alguma característica ou título, para se referir alguém. Por exemplo, ao dizer “Rei do Pop”, sabemos que é o Michael Jackson; assim como a “Rainha do Pop” é a Madonna.
  • Sinestesia: consiste na mescla de sensações dos órgãos dos sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato) para retratar uma determinada sensação de forma figurada. Exemplos: “O brilho doce do olhar de minha amada me fez sorrir novamente!”; “A voz, inicialmente áspera, aos poucos, tornou-se doce aos nossos ouvidos.”.

9. VÍCIOS DE LINGUAGEM:

Ao contrário das Figuras de Linguagem, os Vícios de Linguagem são transgressões às regras gramaticais provocadas pelo descuido ou desconhecimento das normas gramaticais. Os principais são:

BARBARISMO:

Consiste na pronúncia ou na escrita incorreta de uma palavra. Por exemplo: “caza” (ao invés de “casa”); prototipo (ao invés de protótipo).

SOLECISMO:

Quando ocorre erro de sintaxe em uma frase. Exemplo: “Fazem dois meses que ele não aparece.” (Exemplo do site Brasil Escola). O correto seria “Faz dois meses que ele não aparece.”.

AMBIGUIDADE:

Também chamado de Anfibologia. É quando uma frase possui duplo sentido. Exemplo: “O cachorro do seu irmão avançou na minha amiga.” (Exemplo do site InfoEscola.). Nesta frase, não se sabe se o cachorro é o animal de estimação “cão”, ou se é um adjetivo para qualificar o irmão.

CACOFONIA:

É a formação de sons ou palavras desagradáveis quando se junta o final de uma palavra com o início de outra. Exemplo: “Custa um real por cada limão.” (Exemplo do Wikipédia). Ao falar rapidamente “por cada”, temos a palavra “porcada”, referente a muitos porcos.

REDUNDÂNCIA:

Também chamado de Pleonasmo Vicioso. É quando há a repetição desnecessária de um conceito ou ideia. Exemplos: “Entrar para dentro”; “Sair para fora”; “Subir para cima”; “anexar juntamente”; etc.

Há casos, porém, em que a repetição é proposital, visando apenas enfatizar a ideia. Neste caso, não é considerado um Pleonasmo Vicioso, e sim, Pleonasmo Literário. Exemplo: “Morrerás morte vil na mão de um forte.” (Gonçalves Dias).

ECO:

Ocorre quando há palavras seguidas com terminações de mesmo som. Exemplo: “O menino repetente mente alegremente.” (Exemplo do site Brasil Escola).

Bom, por hoje é só!

E nunca se esqueçam! O maior de todos os tesouros são os seus sonhos!

Abraços!


REFERÊNCIAS:

~> Brasil Escola

~> Brasil Escola

~> InfoEscola

~> PCI Concursos

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