Publicado por: Dream Hunter Z | 28/10/2015

Sobre o porte de armas

Olá a todos! 🙂 Tudo bem?

No post de hoje, quero discorrer sobre minha opinião em relação à revogação do Estatuto do Desarmamento. Ontem, dia 27, foi aprovada pela Câmara dos Deputados o projeto que cria o Estatuto de Controle de Armas de Fogo, substituindo o já mencionado.

Sobre o porte de armas

Imagem retirada deste site.

“O relatório cria em seu lugar o Estatuto de Controle de Armas de Fogo e assegura a todos os cidadãos, a partir de 21 anos, o direito de possuir e portar armas, para defesa própria e do patrimônio, bastando cumprir requisitos legais. Deputados e senadores poderão andar armados e pessoas que respondem a inquérito policial ou processo criminal também poderão ter porte.” (Do artigo “Comissão amplia direito de portar arma de fogo e revoga Estatuto do Desarmamento“, do site “amo Direito“.).

O que acham deste acontecimento? Se isso entrar realmente em vigor, será que promoverá a paz em nossa nação? Armar a população é o melhor meio de se alcançar a harmonia? Todos tem o direito de autodefesa, facilitar o armamento civil é necessário?

Tudo tem seus prós e contras, no entanto, acredito que teremos mais contras do que prós, caso isso ocorra de fato.

Facilitar a aquisição de armamento, aumentará o número de vítimas. Embora muitos defendam o contrário. Esquecem-se de que todo bandido, antes de ser bandido, é uma pessoa limpa e considerada boa.

Além disso, não estão considerando a quantidade de casos de pessoas de bem que, em momentos de irritação, praticam violência (no trânsito, por exemplo). Imaginem se estas mesmas estiverem armadas?

Sem contar que, havendo mais armas em circulação, aumentarão também, ladrões que roubam estas (como já acontece com a polícia em diversas ocasiões) para uso do mal. Se os policiais, que são preparados para isso, estão sujeitos a ter seu armamento furtado, que dirá simples cidadãos? Ou pretende-se dar treinamento apropriado a todas as pessoas que adquirirem suas armas?

Falando nisso, deve-se lembrar de que a possibilidade de balas perdidas irá aumentar, já que nem todas as pessoas possuem uma boa mira nata.

Tratando-se dessa forma, tem-se a impressão de que matar alguém é algo natural. Qualquer cidadão com motivos justificáveis pode atirar. Não estaríamos banalizando a morte? Ou voltando na era medieval (ou, se for no Japão, antes da Restauração Meiji), onde matava-se por motivos banais? (e, com espadas). Pergunto-me se quem está lendo isso, teria a coragem de tirar a vida de alguém?

Além do mais, a parte que mais me incomoda é esse trecho “pessoas que respondem a inquérito policial ou processo criminal também poderão ter porte.“. Se são pessoas que podem ter cometido crimes, creio que não deveriam permitir a posse de armas.

Lendo comentários sobre o assunto, há quem faça analogia com os acidentes de carro. Dizem que tirar o direito do porte de armas por causa do seu possível mau uso, é o mesmo que proibir o uso de carro devido aos que dirigem embriagados e causam acidentes.

Discordo desta analogia, pois no caso, o que deveria ser evitado é a bebida alcoólica, e não o carro. Na verdade, dirigir bêbado já é proibido, no entanto, ainda ocorrem muitas fatalidades por conta do não cumprimento desta. Será que falta fiscalização? Ou conscientização das pessoas? Será que não teremos o mesmo problema em relação ao uso de armas? Haverá fiscalização adequada para verificar se as armas serão realmente utilizadas apenas para a autodefesa? Ou vão ficar sabendo depois de uma fatalidade acontecer? E, caso não seja, haverá uma punição adequada? Ou será uma punição como a dos bandidos? (Todos sabemos sobre a impunidade de crimes em nosso país).

Haverão os que irão questionar, não são somente os bêbados que causam acidente. Mas este argumento é ainda pior, pois reforça a tendência do mau uso. A grande maioria dos acidentes causados é por conta de erros consciente (exemplos: todos sabem que não pode correr além do limite de velocidade; todos sabem que a placa de “pare” está ali para avisar que a outra via que tem a preferencial; todos sabem que antes de sair da vaga onde está estacionado, é preciso dar a seta, pois quem dirige os carros que estão vindo não tem a obrigação de ler a mente do motorista que está estacionado, para saber que ele vai sair com o carro – e muitos saem repentinamente; etc.), que poderiam ser evitados pelo uso correto das leis de trânsito. Não o fazem por que? O problema não é o carro é sim a conscientização. O Brasil é o quinto no mundo em mortes por acidentes de trânsito (segundo notícia publicada em maio deste ano).

Indago novamente, o povo terá ciência do uso correto das armas? Neste caso, o problema não é a arma em si, e sim quem a usa. No caso do carro, proibi-los seria um problema, já que muitos dependem deste meio de transporte para sobreviverem (o que também poderia ser minimizado, caso nosso país investisse mais em transporte público, como ocorre, por exemplo, no Japão). No entanto, proibir ou limitar o porte de armas (mesmo que seja como foi até agora), não prejudicaria o dia a dia das pessoas (creio que ninguém iria atirar diariamente em alguém, assim espero).

Em minha opinião, ao invés de facilitar o acesso para a população, deveria-se dificultá-los ainda mais. E, não só isso, procurar uma forma de solucionar o meio pelo qual os bandidos conseguem seus armamentos. Cortando isso, e evitando a venda legalizada, diminuiriam pessoas com armadas (incluindo os mal intencionados), reduzindo os crimes envolvendo tiros.

Além disso, creio que é necessário maior investimento na segurança. Melhor pagamento dos que deveriam nos proteger, por exemplo. Afinal, se for para nós mesmos nos protegermos com armas, não precisaríamos mais de polícia. Seria cada um por si, e seja o que Deus quiser!

E, o mais imprescindível, a melhoria da educação, pois as crianças são o futuro de nosso país. Não é segredo que a qualidade de ensino em nosso país não é das melhores. Para quem gosta de dados:

“O Brasil ocupa o 53º lugar em educação, entre 65 países avaliados (PISA). Mesmo com o programa social que incentivou a matrícula de 98% de crianças entre 6 e 12 anos, 731 mil crianças ainda estão fora da escola (IBGE). O analfabetismo funcional de pessoas entre 15 e 64 anos foi registrado em 28% no ano de 2009 (IBOPE); 34% dos alunos que chegam ao 5º ano de escolarização ainda não conseguem ler (Todos pela Educação); 20% dos jovens que concluem o ensino fundamental, e que moram nas grandes cidades, não dominam o uso da leitura e da escrita (Todos pela Educação). Professores recebem menos que o piso salarial (et. al., na mídia).” (Do artigo “Educação no Brasil“, do site “Brasil Escola“).

Pode parecer que estou desviando do assunto, mas não. A educação está intrinsecamente ligada ao assunto, pois para a conscientização da responsabilidade de ter algo de poder (arma) nas mãos, e do seu uso correto, é preciso de cultura (que inclui conhecimento). E, para ampliar o acervo cultural, é essencial ter uma boa educação.

Por educação, não digo apenas ao conhecimento mastigado que é “vomitado” para as crianças apenas assimilarem e repetirem as informações das matérias dadas na escola. Refiro-me ao conceito mais profundo de educação, que abrange o estímulo da curiosidade e criatividade, a importância do questionar, da necessidade do compreender a razão de ser das coisas (e não apenas saber que é assim e pronto), o promover do pensar. Uma boa aula é quando tanto o professor quanto os alunos aprendem algo para seu acervo.

Gostaria de discorrer que a “culpa” do estado em que chegou a educação no Brasil não é dos professores, pois estes também não recebem estrutura e condições para realizar sua profissão de forma adequada, mas aí sim estaria fugindo do assunto, deixo isso para uma oportunidade futura.

Voltando ao assunto principal. Ao meu entender, nós ainda não estamos preparados para esta mudança. Não que o povo brasileiro não seja capaz de receber este “direito” de forma positiva, mas sim por falta de conscientização do mesmo.

E a prova disso, está no nosso cotidiano, como já pincelei agora a pouco. Quantas leis de trânsito são infringidas por dia? Não falo das que são pegas e punidas apenas, incluo as que não são percebidas também. Quantas pessoas, apesar do racionamento de água, continuam desperdiçando-a? (Não é raro ver alguém lavando a calçada, encontrando um conhecido que está de passagem e ficar conversando com o mesmo sem desligar a água, por exemplo). Quantos lares mantém água parada, apesar de se fazer tanta propaganda para evitar esta, por conta da dengue (que, segundo notícias, está aumentando)? Todos sabem que jogar lixo no chão é errado, então, qual o  motivo das ruas estarem cheias de lixo por aí?

Por tudo isso, eu sou contra esta mudança. Não acho que pode-se combater fogo com fogo (aliás, atirar fogo no fogo só iria aumenta-lo). Não se consegue harmonia através do caos, e nem a paz através da violência.

Sobre o porte de armas

Imagem retirada deste site.

Obviamente, esta é a minha opinião! Posso estar errado. Talvez, o armamento civil promova a redução da violência em nosso país. Se for assim, é o que desejo.

Por hoje é só!

E nunca se esqueçam! O maior de todos os tesouros são os seus sonhos!

Abraços!

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